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| Saul Brandalise Junior |
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Vida no Exterior
Olá, saudades de casa?
É normal sentir isso, afinal foi sua escolha nascer aqui no Brasil. Assim como foi sua determinação ir buscar novos resultados em um país distante. Os estrangeiros chamam este sentimento de “home sick” como se “doença de casa” pudesse substituir a amplitude que nossa mágica palavra ”saudades” consegue expressar.
Contudo é sua escolha efetivamente tornar esta saudade como uma “doença” e se sentir depressivo por não ter, aonde você se encontra, as facilidades de seu lar.
Hoje você já sabe que a única semelhança que existe entre você e os demais que compõem o meio em que vives é que ambos são humanos. Só isso.
A principal diferença, dentre muitas que existem, entre um país em desenvolvimento e um país já desenvolvido é o abandono da explicação e da justificativa pelo insucesso.
Dar justificativa, explicação, ouvir a quem amamos, apreciamos, admiramos e/ou simplesmente gostamos, é um ato que pode se tornar heróico. É preciso separar a emoção da razão. As empresas, muito mais em países desenvolvidos, não se relacionam via o emocional. Elas são 100% racionais. Somos pagos para fazer bem feito. Este é o ponto.. Numa empresa esta postura exige muito bom senso e disciplina. Na maioria das vezes é comum confundirmos o sentimento com a razão. No Brasil, o que é uma falha de competência pode ser encarado como um simples descuido, e, o que é pior, é aceito. Nos países desenvolvidos isso não existe. A relação capital x trabalho só acontece como troca financeira e nunca como motivo de relacionamento pessoal.
A segunda grande característica é a disciplina.
A utilização da disciplina faz toda a diferença quando eu tenho uma missão. Por exemplo, o Americano, o Inglês, diz assim: Meu trabalho ( My Job ) o brasileiro diz assim: Meu emprego... Já saímos com desvantagem na definição e na qualificação. Fazer uma coisa bem feita então é algo que não passa pela nossa cabeça... Vamos levando as coisas, amanhã farei melhor... Não temos o hábito de sermos eficientes e eficazes em cada simples ou pequena tarefa. Este choque de visão é complicado e todos o sentem.
No Brasil nós não damos muito valor ao relógio que carregamos em nosso pulso. No exterior ele é ferramenta de trabalho. No Brasil serve de adorno, fora é controle de atitude. O tempo faz parte da vida. No Brasil ele é expectativa de final de semana.
A terceira é a determinação.
Determinação é uma palavra que facilmente pode ser substituída por “vou tentar”. Primeiro penso nas dificuldades de NÃO CONSEGUIR e logo encontro uma desculpa se “algo der errado”. Obviamente que se determinar a fazer, é apenas uma remota hipótese. Tenho que analisar todos os empecilhos e ter um deles como meu futuro grande aliado. Ser determinado, em nosso país é para poucos. Dependendo do país em que você se encontra vais competir com verdadeiros soldados. Pessoas treinadas para conseguirem alcançar objetivos tidos como impossíveis. É preciso ficar atento a este ponto. Você vai tentar, ele é um soldado destemido.
A quarta é a cultura e o acesso rápido ao conhecimento.
Cultura significa a somatória de valores que um povo crê, aplica e respeita. Nós não damos muito valor a isso até porque somos um país mal colonizado e de pouca tradição e história. Dependendo do meio em que nascemos somos fruto de poucas exigências, nenhuma disciplina e nenhuma base internacional. Quando chegamos em um país desenvolvido o choque cultural é enorme. A descriminação aumenta porque somos julgados não pela nossa qualidade individual, mas nos é agregado toda a besteira que nossos irmãos já cometeram. Fazemos parte de um grupo e ponto final. É muito complicado querermos buscar individualidade. Mas não impossível. Seja um Brasileiro que “dá certo”.
A quinta dificuldade, por incrível que possa parecer, é o clima.
Quando falamos de clima, perdemos feio. A “orla brasileira” é feita para ser desfrutada. O calor para ser curtido e o frio para servir de desculpa para a lareira... Lamentavelmente é assim que encaramos o nosso clima. Ele é um convite a ócio. É uma provocação e um “suborno” a nossa capacidade de gerarmos mais resultados. Tudo contribui para que sejamos reféns de nós mesmos.
Fora do meio em que nascemos, encarando meses de temperaturas externas negativas somos literalmente um “pássaro fora da gaiola”. A ausência do sol é terrível. Ficar trancado em ambientes, quer onde moramos ou simplesmente nos bares, é um ato depressivo. Nosso corpo sofre para se adaptar ao frio. A calefação aumenta a claustrofobia. Enfim, só penso em ir embora... Mas isso significa derrota. Vim para vencer e ponto final.
Na realidade quando decidimos enfrentar as novidades e os desafios de um país repleto de oportunidades nos esquecemos de avaliar o desconhecido. Pura e simplesmente porque, por paradoxal que possa parecer, ele é desconhecido. Só olhamos uma coisa: Vou mudar de vida e ganhar mais dinheiro. Porém, é preciso que tenhamos consciência de que as dificuldades existem para serem superadas e não para que nos entreguemos a elas. Este é um dos preços que teremos que pagar. Não basta vencermos as dificuldades internas, temos que vencer, também, nosso maior inimigo: Nós mesmos.
Isso posto fica evidente que nos falta é conhecimento antecipado das dificuldades que iremos encontrar, depois, atitude, garra e determinação. Esta falta de posicionamento ativo para vencer as barreiras que nos levam ao sucesso, me faz lembrar um jogador de futebol que erra um pênalti e depois justifica que estava despreparado emocionalmente para executar a cobrança. Ora, esta falta é tão importante que deveria ser cobrada pelo treinador da equipe, se possível fosse.
Na realidade somos o que acreditamos ser. Não há como, na vida, copiarmos valores e acharmos que teremos o mesmo resultado. Cada ser humano tem a energia que acredita ter. Ela é que nos impulsiona na busca de nossos resultados.
Confiar em si é o segredo. Ter atitude é o combustível da superação. Acreditar em si é o fator determinante de se alcançar o objetivo.
Sei que nos veremos – visite nosso site: WWW.somostodosum.com.br
Beijo na alma
Saul Brandalise Junior.
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